segunda-feira, 16 de março de 2020

DIA NACIONAL DO NELORE




Faz alguns anos este assunto se repete por aqui outra vez... 



Segundo a Revista Agropecuária o Nelore “é um gado muito vivo, ligeiro e manso, desde que convenientemente cuidado.

O atual comandante destas pastagens, em sua obsessão ambiciosa em tornar-se o ditador mais imbecil produzido pela América Latina, ao sair em 15 de março para apertar as patas dos energúmenos que saíram às ruas para dar apoio à derrubada da Constituição Federal, deveria ter um mínimo de cuidado com seus zebus.

Difícil é a compreensão de gente que se identifica com algo tão vil, após viver décadas de vilanias disfarçadas. Esta vilania não tem disfarces. 

Talvez valha o conhecimento da brilhante Temple Grandin que descobriu que o gado se torna mais manso ao andar em círculos e sem olhar para os lados.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

SEM AGÁ FICA ORROROSO

Ôje, fez-se um iato dramático após a élice do liquidificador partir-se em pedaços, deixando o creme que batíamos menos omogêneo. 

Ficou um íbrido entre o omus e a maionese ellman's. Esitei e preferi não comer.

Tive umildade em entender que não fui ábil o suficiente para fazê-lo.

sábado, 11 de janeiro de 2020

AMORA

Deitado na cama, se a janela estiver aberta, consigo ver um pé de amoras. Não aquelas amoras que aparecem na foto de geleia de supermercado ou sache de suíte de motel. Amoras silvestres pretinhas e compridinhas. As raízes estão do lado do muro do vizinho que não liga para o pé e nem se dá conta do quanto gosto de amoras. Melhor assim. 😋 

No fim do outono a amoreira perde toda sua folhagem. Fica pelada como uma árvore fantasma. A lua, quando nasce no horizonte no final da tarde, pode aparecer atrás dos galhos secos.

Em agosto começa a brotar para depois fazer a festa dos canários, pardais, tucanos, claytons, e outros passarinhos que aparecem por aqui.

Nesse calorão de janeiro, suas folhas já começam a amarelar. Mas ainda faz aquela boa sombrinha.

Passa o tempo e ela, em seu ciclo sagrado, nem se dá conta da felicidade plácida que dá aos outros com seus frutos, sombra ou simplesmente por estar ali.

A vida devia ser assim: uma amoreira. Ando muito bucólico...

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

PARNASIANO


Das musas do Monte Parnaso
De cada coisa um extrato, 
Meu pólo assimétrico, por assim ser, eu trato. 
O grato pelo ser grato
não indica o consumado ato
Mas há de saber que em seu prato
há labor, há saber, há pecado
o androceu no geniceu
não há melhor transgressão
arsenikó kai thilykó
Etílico, eu como 
se eu isso, eu aquilo
Eu idílico,
Eu Apolo,
no Parnaso fico. 





quinta-feira, 12 de setembro de 2019

CIAO - [partindo para o k2-18b]

De partida a um novo sol 
Lá na constelação de Leo!
Minha sunga azul do céu,
Cerveja gelada no kooler
A cem anos luz da Terra
aproveitarei as marés
"K2-18-b" 
Pode esperar, tô na estrada!!!

Meus pés colocarei descalço
nesse planeta gigante
Antes que outros pisem e digam: 
"Você tem que..."
Tá bom...
Já estou bem distante.

Preparando a bagagem 
da viagem interplanetária
Um exemplar de Pessoa 
e outro de Millôr Fernandes
Pra não esquecer de onde, 
antes,
vim e deixei saudades.

Minha rotina diária
será lembrar do que não quero
Mais ainda, do que não tenho
Pois para ser pioneiro
Nesse novo mundão de água
O importante é ter o conhecimento
e não dinheiro ou ser chicaneiro
como da terra de onde parto.

Farto de poluentes no ar 
Gente doente nas cidades
Paranoicos em rede nacional
Boiadas de insanidade.

Não há motivos para ficar 
portanto parto sem culpa
Quem sabe faço um streaming de lá
Com um casal de canarinhos que levo
Pra gorjearem como cá
Desopilar é o que espero.

Ciao impostos!
Pouco importam!
Ciao raparigas!
Deixo herdeiros!
Ciao velhacos!
Calibalizem-se
Ciao "amorinhas"
Reinventem seus mundos! 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CRIVOS DE ERATÓSTENES

Crivos de Eratóstenes
De Alexandria à Roma
Conflitos bárbaros a números primos
Únicos ? Quem saberá ?
Indivisíveis ? Quem deixará?
Tantas distancias
Humanidades 
Unidades
Eu e ela
Um egípcio? Como uma grega?
Sempre uma viking


Língua bávara
sobre a pele pagã

Ou, que seja,
Greco-romana
Galega-burguesa
Eslavo-Búlgara ou 
anglo-saxã
Por que não ?

Ela atreve-se
Eu misturo
Pulo o muro
Sou bravo
Eu, eu mesmo, Craveiro!

Quando caio
Logo a encontro

Ela o cravo
Estamos prontos

Um conto de Fonseca
Imoral e pueril
Insano
Vilã e mocinha

Crava o espinho, a garbosa
Nós, personas distintas
Heterogêneas e tão iguais...
Gêmeos de duas vitelas
Azul e rosa
Púrpura 
Gostosa

O rústico e a lady
A princesa e o bruto
Limão e pilão
Nem tanto
Entreveiros comuns
Sem pranto 
Sem lutos pelo fim
Luta pela eternidade
Dois em um
Um dígrafo
Epígrafes
Sustenidos na canção
Um fonema indecifrável
Th...

Dois em um
Rum e Coca-Cola
Canção de Cartola
Pororoca de emoções
Um AP na Tijuca 
ou uma casa na Moóca
Rolando na minha rima
Meu imã
Meu pão 
Minha manteiga President
Uma em um
Um em uma
Vivência múltipla dos órgãos
Meu chão 
Meu tapete de nuvens
Volúveis
Muitos sins
Raramente um não
Claramente um não. 

quinta-feira, 13 de junho de 2019

ELA GOSTOU


Gostou do meu design avançado
meus pensamentos latitudinais
minhas linhas longitudinais

Gostou da muçarela de búfala
assando sobre a minha massa de pizza
Gostou do Cabernet Sauvignon 
Esquecido no fundo da taça
Sem falsas promessas
Só para misturar os sabores das línguas

Das almofadas do sofá
preparadas para sua nuca tatuada 
com um anjo de emergência qualquer


Das roupas deixadas na entrada

Ora sem nenhuma urgência ou serventia

Dos grãos de pistache decorando a mesa
Que no fim da noite se espalhavam pelo chão

Embora ache que gostou mais de outras coisas
Talvez das velas acesas na varanda
Nefandas, 
profanas ao lugar comum
Amém

"Vem" - disse.
Ama pisando o tapetinho indefectível
ao lado da cama

Andou pela casa com minha camisa de botão
cabelos molhados e meias soquete 
pois sabia dos meus fetiches 
Me pegando sem prevenção 

Ainda bem que ela gostou 

Só que subiu no telhado, a gata 
E desceu devagar 
pé ante pé
Em doses homeopáticas
Foi simpática
Foi mais 
Foi no tempo 

Foi...



terça-feira, 21 de maio de 2019

E AÍ ...?! JÁ SE ACOSTUMOU COM O SUJEITO ?

E aí ?! 

Você que ficou um ano falando para eu ir me acostumando... Não consegui seguir seu conselho. Para falar a verdade não me acostumei. 

E você já se acostumou?

Já se acostumou com a indolência do sujeito viajando por aí enquanto o país está um caos?

Já se acostumou com a falta de habilidade do sujeito que não consegue sequer articular com o Congresso por onde, "por acaso", passou 30 anos mamando sem fazer nada?

Já se acostumou com a incompetência do sujeito, presidente eleito, que não tem domínio sobre tema algum?

Já se acostumou com o a imagem do sujeito lambendo as botas do Trump e do Netanyahu ?

Já se acostumou com a inoperância do sujeito enquanto o desemprego aumenta e o PIB cai?

Já se acostumou com o sujeito protegendo filho corrupto?

Já se acostumou com o sujeito deixando o outro filho interferir nos assuntos de Estado pelo Twitter?

Já se acostumou com as falas inconsequentes do sujeito derrubando o IBOVESPA?

Já se acostumou com o sujeito sendo chacota pelo mundo?

Já se acostumou com o sujeito fazendo lambança e voltando atrás pois não tem a menor ideia do que seja gestão?

Já se acostumou com o sujeito, presidente eleito, tendo como guru (?!) um astrólogo que nem mora no Brasil?

Já se acostumou o sujeito usando o nome de Deus para conseguir apoio de quem tem fé?

Já se acostumou com o laranjal do sujeito ou chupou das suas laranjas?

Já se acostumou com os discursos idiotas do sujeito ?

Já se acostumou com o sujeito fazendo bravata quando não sabe o que responder?

Já se acostumou com o sujeito falando que o grande problema do Brasil é classe política como se não fizesse parte dela?

Já se acostumou com o sujeito nas redes sociais todos os dias ao invés de trabalhar, pois não sabe o que fazer com o país?

Já se acostumou com o sujeito sendo uma piada de mau gosto e persona non grata na América?

Já se acostumou com o sujeito tentar resolver os absurdamente complexos problemas do país somente assinando decretos – que provavelmente não tem o menor conhecimento do que sejam ou quais serão seus desdobramentos – e dizer que cumpriu metas de governo?

Já se acostumou com o sujeito pagando de idiota todos os dias para o seu subordinado, o tal Posto Ipiranga?

Já se acostumou com o sujeito mentindo, desmentindo e falando que a imprensa coloca tudo fora do contexto?

Já se acostumou com o sujeito assinando decreto para rico comprar metralhadora enquanto policial e pobre se dão mal todos os dias pelo país?

Já se acostumou com o sujeito falando merda diariamente e dizer que foi canelada?

Já se acostumou com a escolha que você fez pelo sujeito ? 

Não me acostumei, pois creio que esse sujeito não tenha qualquer predicado...



segunda-feira, 20 de maio de 2019

POESIA DE SMARTPHONE

Antes eu trocava a fita
sujava os dedos
no tecido negro e rubro
Furava a seda da Olivetti
Tek-tek-tek

Usava limpa-tipos
Folhas A4, Correto Carbex
Missivas em posta restante
Postais de um lugar distante


Tempos passados querida...
Hoje é tudo num instante

Hoje meu mindinho apoia meu verso
enquanto o polegar vacila
entre o amor 
e o horror ao corretor

Faz plim quando ela chama

Infla meu peito
Satisfaz meu ego macho-alfa
"Manda nudes meu bem..."

Aquele jeito, aquela chama
Em tempos modernos
Até o vício solitário é diferente
Tem um giga de velocidade

Não é fake, é maldade 

Portanto a paixão de improviso
agora circula em ondas de um 4G
Não mais nas mucosas do ponto G

Sabe lá o que é isso?

No "hifi" eu dançava colado
Sussurrava segredos
Embaraços ao pé do ouvido

Agora ?? Duvido !!!

Muda a letra 
Sai "h" entra o "w"

E no "wifi" de hoje
Só a senha é o desejo
Pode crer! Mais que um beijo!

Pois que venham !!

Noites insones em zaps da vida
Paracetamóis virtuais
Boleros em pacotes de dados
Substituição da solidão
Por mais solidão

A vida no modo avião 
Ansiedades aflitivas
Por respostas imediatas
Obsessivas
Obsessões
por notícias,
Por sinais

Por torturantes áreas de cobertura
Premissas falsas
Verdades ora irrelevantes 
que os bits nos aproximam
E nos trazem paz

Por hora, querida.
Não mais.



sexta-feira, 15 de março de 2019

NEM VEM

Taí ! Decidi ! Não vou morrer!
É . É isso mesmo! Nem vem !
Se a Morte vier vou tratá-la com desdém.
“Espere aí na recepção” - direi
Vou continuar conversando com o João.
“ Mas João, que jogão ontem, hein?!”
“ Não vai atender a moça, Clayton?”
“Moça ?! 
Essa quer troça comigo!
Quer que eu vire do avesso
Quer me aplicar um castigo?!
Logo eu ! Estou só no começo!”
Miro sem vontade e digo sem apreço
“Pode esperar por aí... 
Mas sentada, senão cansa”

Ela, de vestido grená,  quer dizer alguma coisa
Mas Morte não tem boca
Não me leva pra Roma, não bebe guaraná
Só uns murmúrios tolos que parecem me querer
Mas quando eu não quero, nada me faz mudar

Logo toca a campainha
abro a porta e é a Vida
Passo ela na frente; 
nem precisa de senha
Abraço com força 
Chamo ela pra dança
Moça esperta !
Acompanha meus passos
Serpenteia em meus dribles
Dá replay na minha finta
Faz assim desde criança. 
Vida se pega na cintura 
E se conduz sem destino
Joga luz em minha tinta
Nada me faz  mudar

A outra? 
Que espere ali na recepção.
E João me pergunta: você volta?
“Vou partir com a Vida, acho que não volto, não”.