segunda-feira, 13 de julho de 2015

O QUÊ SÓ FALTA



Quando meu filho era pequeno - com três ou quatro anos - e a gente precisava passar em qualquer outro lugar antes do destino que falávamos para ele, dizíamos que "só falta passar ali, depois vamos para lá..." Com o tempo, se algo demorava a acontecer, ele perguntava: "o quê só falta, pai ?"
Acho que me adapto a qualquer coisa; azeitona na comida, camisa sem bolso, inflação real de dois dígitos, trem lotado, nhoque congelado, maionese na pizza,...
Enquanto o tempo passa rápido, as coisas vão acontecendo e mudando sem espera. Acabamos pegando a alça do último vagão e seguimos viagem. Mas creio que as relações vão ficando menos estreitas, mais esparsas, e um bocado distantes. Distâncias mensuradas em bandas e conexões rápidas. Temos que nos adaptar também a isso.
Só que têm horas que falta o contato ao vivo, o olhar cara a cara, o abraço, o aperto de mão, a conversa longa, sem compromisso e sem interrupções no papo fiado.
Têm dias que não basta que um programa qualquer me pergunte "No que você está pensando?", ou ser atualizado por outro que me propõe novidades dizendo
"Enquanto você esteve ausente". A timeline daqueles que conheço é insuficiente para permanecer conhecendo. No máximo, atualiza seus históricos de dados e acumula registros de suas vidas em minhas tabelas, falando tecnicamente.
E neste conjunto tecnológico superficial, pessoas que não conheço ficam trocando insultos, travando batalhas de sarcasmo e ódio a respeito de todo e qualquer assunto, atrás de touchs ou teclados, deixando para lá ou exacerbando o que temos de mais humano, ou seja, nos tornando animais humanizados, no pior sentido que os radicais desses termos carregam.
Tá demorando a hora de parar um pouco. De parar de olhar para tela ou para relógio. Agora que as coisas estão assim, percebo "o quê só falta" para o mundo: uma poltrona, um café e uma boa conversa.

sábado, 4 de julho de 2015

ORGULHO DE SER EU MESMO



Como ando sem paciência para entrar em discussões idiotas e sem o menor sentido - pois quem está muito preocupado em estabelecer o que quer que seja, para vida de quem quer que seja, provavelmente não tem tempo de cuidar do que quer que seja da própria vida - esclareço que, em caráter definitivo, pertenço a uma minoria. Assim, levanto aqui minha bandeira, minoritária, mas limpinha:


"ORGULHO DE SER EU MESMO".


Saco cheio de "radicais livres" de todos os lados e opções. Cortem-lhes o microfone. Ou, como disse o careca, que vão caçar uma rola !

Tempos de gente babaca.

Sem paciência. Sem comentários.

Publicado no Facebook em 01/07/2015

INCOMODADO

Sobre o ataque racista à jornalista Maria Júlia Coutinho.

Vamos lá.

Algumas coisas me incomodam.

Porta batendo, abrir ovo podre, gritaria por nada, trocar resistência de chuveiro, topada na quina da cama, injustiças em geral,...

Mas se há algo que me incomoda de fato é o preconceito racial.

Minha cara; minhas porções de pai e mãe; meu DNA misturado de índio, europeu e africano; assim como a maior parte dos nascidos em Pindorama - só me levam a crer que existem pessoas (?) com sérios problemas mentais.

Neste cu do mundo, onde uns ufanam ser uma democracia, o que dizer da imbecilidade coletiva de algumas dúzias de filhos da p#ta que se aproveitam da rede para debochar de alguém que avança em sua atividade com alguma exposição, somente por entenderem que existe alguma diferença entre o injuriante (no caso, o filho da p#ta em questão) e a agredida?

Mas sim, existe uma diferença. A estupidez altiva de quem se considera acima do outro, enquanto boia no buraco do boi.


Como já disse antes, isso é caso de botar em cana. Estarão no local apropriado para novas injúrias.

Que se localize os ofensores e "curtidores" (pois quem curte imbecilidade é imbecil também) e depois, como me dizia um professor: "vaaapo!!!"

Jaula neles !!"

Publicado no Facebook em 03/07/2015

MUDANÇA


Quando eu mudo de casa, invariavelmente volto ao passado. Não, esse não é um texto piegas. É quase uma reclamação. Como acumulo porcaria! Papéis, apostilas, cacarecos que ganho, folhetos que pego por aí, achando que um dia terão serventia, notas de supermercado para comparar preços( devo ser maluco?!), revistas, contas velhas, manuais de aparelhos que nem tenho mais, ... Para quê ?

Não, não sou um acumulador. Ou teria essas e outras muitas coisas em grandes quantidades. Tem gente que leva até lixo para casa. Não é lixo. São as coisas que são guardadas e esquecidas por ali e encontradas em momentos desnecessários, onde até um clipe de papel atravanca o caminho. Tudo prende o batente da porta. Tudo bate na parede estragando ainda mais a gasta pintura. Coisas que eram para ser deixadas para trás. Queria ser um elo perdido. Um nômade só para carregar minhas quinquilharias básicas: minha pele de dente de sabre e uma arpão.

Tá certo, acho outras. Ou ainda revejo as coisas que sempre soube que estavam ali e me davam e dão imensa satisfação. Fotos antigas, carta da mãe, da vó, a camisetinha da escola de séculos atrás, o carrinho miniatura comprado num aeroporto qualquer,... Mas essas, que se fez questão de guardar, tem lugar certo. Ficam por ali no cantinho e provavelmente ficarão para posteridade. Como as canções de um velho CD que em algum momento foi o melhor da sua vida, até que surgiu outro que foi o melhor da sua vida, e outro, e outro... Histórias em reticências. Mas tem a chave de fenda e a porra da fita crepe perdidas na confusão.

Não, não dá para ser piegas em dia de mudança.



terça-feira, 19 de maio de 2015

COISAS ODIOTAS EM ALGUMAS PESSOAS


            

As que mencionam frases feitas como se elas mesmas tivessem escrito e  fossem o novo Satre ou Nietzcshe.

As que não conseguem admitir que estão erradas.

As donas da verdade e para quem a opinião e atos de quem quer que seja deva estar obrigatoriamente alinhados com os seus ou o mundo vira pó.

As que sempre gritam para impor suas vontades, estando certas ou não.

As que acham que enganam todo mundo o tempo todo.

As que acham que a vida se define em argumentos prontos que alguém falou ou escreveu só para limitar outras pessoas.

As recentidas com a vida como se esta nos devesse alguma coisa.

As que querem tomar qualquer situação para si.

As que insistem que todos tem que viver como elas vivem.

As que se metem no que você está fazendo.

As que dão pitaco para você ficar rico mas "optaram" ser pobres.

As puxa-sacos.

As que ficam olhando o que você esta fazendo para copiar.

As que riem sem sentido ou por deboche.

As que não percebem que as coisas evoluem.

As que acham que o passado é melhor que o futuro.

As que não querem superar suas próprias limitações.

As que comem jiló ou azeitona e que querem obrigar a você gostar.

As que escrevem sobre coisas odiotas sobre pessoas odiotas.

domingo, 17 de maio de 2015

CONQUISTAS ou PARA ONDE VAI MINHA TAPIOCA


Ano pré eleitoral, fico só observando o movimento. Me deixa puto qualquer propaganda oficial falando sobre "nossas conquistas".

Se há uma conquista, subentende-se que existiu um desafio acordado entre a população e seja lá qual for o poder que alardea a tal vitória.

Eu, enquanto índio, tomo meu cauim e cuido da minha taba, contribuindo com minha tapioca, mas sem saber em que tigela os caciques vão usá-la. 

Normalmente, só volta o farelo.

Dos projetos e programas veículados na mídia, rádio, tv, outdoor, jornal, placas, folhetos, flyers, e todas as mídias que geram ônus desnecessários, estou farto.

Continuarei achando, até ficar velho, tarado e gagá, que o que fazem em benefício da população, é igual resposta de mãe à nota alta no boletim escolar: nada mais que sua obrigação. Em cada operação financeira, cada produto comprado, cada taxa, tarifa, contribuição que pago, deixo lá minha tapioquinha para o crescimento da tribo.

Então quando fazem propaganda com meu dinheiro dizendo que nome de rua e homenagem a difunto tem alguma relevância objetiva a minha vida ou que, buraco tapado, lixo recolhido, fumacê passando, criança na escola e outras OBRIGAÇÕES são conquistas, dou gargalhada, verbalizo um bom palavrão bem alto e cobro o balanço das contas.

Só podem estar de sacanagem, né ?!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

TEXTO DA MANHÃ ESCRITO À TARDE


Se você estiver lendo isso, é porque provavelmente dá alguma atenção às bobices que escrevo - obrigado - e vem acompanhando a saga da minha bola de gude na vesícula. Assim, como finalmente rolou a tal cirurgia (toquem os clarins !), eis os fatos, pois já passei por isso (um dia explico). Tô meio dããã, mas como bons amigos pediram notícias e para não preocupar ninguém, segue o texto; também dããã.

"Nesta quinta, minha vesícula partiu desta para melhor. Está no céu das vesículas.


"Oh, pedaço de mim.
Oh, metade arrancada de mim..."


Para de show, Clayton !

O troço estava trazendo dor pra cacete! 
Acho que fui o único cara que entrou no centro cirúrgico duas vezes para fazer uma mesma cirurgia em dois dias diferentes. Um caso médico a ser estudado e, provavelmente, processado, se é que me entendem...


Na vez de hoje só lembro de colocar aquela roupinha de hospital que não protege a retaguarda e de ser levado pela enfermeira  para uma sala gelada. E esperar, esperar,...


No episódio de House de hoje, depois, minha abdução, pela manhã, acordei numa banheiro cheia de gelo e um celular. Brincadeira. Meus abdutores me deixaram no quarto com quatro furos na barriga.

Tá doendo ?


Tá. Mas passa logo, mentiram. Por favor, apesar de eu querer muito não me chamem para uma pizza. Por enquanto.

Beijos e abraços aos que mandaram mensagens legais ou me ligaram desde semana passada para saber da minha saúde. Valeu mesmo !!!

Aos que não mandaram, beijos, abraços e um piparote.

Semana que vem recomeço 100% ! Não, agora 99,8%."

FRONTEIRAS



Terça-feira. 18:40. Paciência limitada a 56k.

Ainda mais quando fico sem fazer nada.

Coloquei numa rádio qualquer e está lá o crássico do Welton Djom "Sacri fai cerol".


Mas logo depois rola um Anthony Hamilton para dar certa classe ao meu R&B noturno.

Alugo ela no Whats que não responde. Tem mais o que fazer, certamente. Aí resolvo escrever essas besteiras para passar o tempo. Na tela da tv, que assisto sem som, um monte de mendigos recebendo sopão. O ar condicionado arma e fica  mais barulhento que os meus fones.

Daryl Hall & john Oates. A mais chatinha deles. Irritante a seleção de músicas hoje. Rola Ronca Ronca mais tarde pela web, mas não posso ouvir. Meu pacote diário de "internet lixo azul sem fronteiras" acabou. Preciso de conexão.

Chato pra carai, véi. Se você ler isso na quarta, é porque a TIM venceu. Entra a 

Voz do Brasil. Putz !

A CRIANÇA QUE HAVIA EM MIM


Quando aquele monte de pastéis  que comi em casa, com  recheio de queijo que ajudei a colocar, não bateu bem, percebi que iria parar no hospital. Sem novidades. Já havia acontecido. Numa competição doida de quem comia mais porcarias, coloquei para dentro em uma tarde a mistura de joelhos, pastel chinês, sorvete, dois hambúrgueres de fast food e muita Coca-Cola. Eu tinha 
dezessete anos.

Ok, percebi que papo agora era outro. Vinte e oito anos e trinta quilos a mais, fazem uma certa diferença. As coisas mudam um pouquinho.
Deu para perceber, depois de visitar meia dúzia de médicos, fazer mais de uma dúzia de exames e passar a dizer "oi" na emergência do pronto socorro.

Gastrite, hérnia de hiato, cristais nos rins, gordura no fígado e um cálculo enorme na vesícula. Chega, né !?

Todos os médicos me "acusavam" de obesidade. Logo eu que durante muito tempo passei no "grupo" do sobrepeso. Bom, as dores que senti durante essas últimas semanas, me fizeram seguir uma dieta rígida pela primeira vez na vida.

Tô me sentindo meio animal de circo, "motivado" pela dor, mas perdi dezessete quilos. Tinha uma criança de dois anos em mim e eu não sabia. Acho que vou ter que parir pelo menos mais dois bebês para ajustar o IMC.

O HUMOR E O RECRUTADOR


Ultimamente, todas as vezes que algum humorista concede uma entrevista em um programa de tv, fico pensando em processos seletivos. Recrutadores fazem invariavelmente as mesmas perguntas: foi fácil chegar aqui ? Quais foram suas maiores realizações ? Quais suas maiores virtudes ? E seus maiores defeitos ? E bla bla blá... Qualquer ator medíocre passaria com tudo decorado, pelo menos, pela primeira fase. Um dia inventarão recrutadores que não sigam cartilhas.
No caso dos humoristas, depois de meia dúzia de perguntas idiotas, vem a célebre e irritante: qual o limite do humor ?

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PAUSA SAUDOSA: Saudades do Abujamra que invariavelmente questionava três vezes ao final de cada programa a sinuosa: O QUE É A VIDA ? 
Para a mesma pergunta repetida com sua enorme carga dramática, obtinha a resposta do "recrutador", a resposta de "validação", e a resposta desconfortável que o velho provocador queria. Era muito bom. Era muito Abu.


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Para responder ao "recrutador" da tv, se eu fosse humorista, teria o texto decorado, ator medíocre que sou. Diria que cresci vendo Buster Keaton e Chaplin e, já adulto, Rowan Atkinson, enrolando os outros ou se enrolando, sem dizer uma só palavra. Vi uma genial velha surda desabando em um banco de praça. Vi Bud Spencer e Terence Hill fazendo gaiatices no velho Oeste. Vi um senhor chamado Ronald Golias improvisar até a última risada. Assisti M.A.S.H. algumas vezes. Vi o Mussum chamar o Didi de cabeça chata e receber de volta o chamado de "grande pássaro de ébano". Ouvi Costinha, impagável, incorporando "a bichinha" paupérrima. Chico de "Painho", "Véio Zuza" e "Pantaleão". Jô de "Reizinho" e "Gardelon". Gargalhei com tudo do Monty Python e sua versão nacional TV Pirata. Me rendi ao humor do Saturday Night Life e dos dois Jerrys, o Lewis e o Seinfeld. Gastei muitas páginas de MAD. Li e me diverti com Veríssimo, Novaes, Millôr, Flávio Rangel e Ivan Lessa. Percebi o sarcasmo visual dos Caruzo, do Henfil e do Jaguar. Casseta Popular e Planeta Diário, melhores no papel que na tv. Hoje, mesmo com muitas temporadas, me divirto com os Simpsons e South Park sem qualquer constrangimento. Estas eram e são algumas das minhas fontes de riso. Perguntaria de volta: eles se impunham ou se impõe limites?

Propositalmente, não relaciono nenhum humorista da dita "nova geração". Eles ainda trilham seus caminhos. E são bons caminhos.


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Nunca fui dodói.

Não há melhor escola de humor que a "adolescência cruel". Lógico, desde que você leia, ouça e aprenda passar por ela sabendo que um trem pode passar também a qualquer momento, e entendendo que há grande diferença entre ter amigos sacanas e conhecidos grosseiros - aliás, esses merecem as "melhores" piadas, desde que você consiga correr mais que eles.

Vejo que o que se pratica hoje, nada mais é do que a boa zoeira adolescente ou aquela da mesa de bar. Só que os assuntos são sérios demais para alguns. Esse é o pior problema: os que não tem humor algum. Os que carregam suas vidas na ponta da faca. Os dodóis têm para todos os gostos: políticos, religiosos, étnicos, "lgbtistas", feministas, machistas, bipolares, narcisistas, depressivos, haters, fascistas, clubistas, swingers, ricos, pobres, bem resolvidos sexualmente, celibatários, onanistas físicos e mentais, otorrinolaringologistas (sempre quis usar isso num texto :-p ), etc.
Limite ? Ultrapasse. 

Schumy...Rubinho...Entendeu,né ?! Hoje sim, ok ?!
Alguns irão praguejar sua alma. Outros podem entrar atirando com capuzes. Outros ainda podem virar processos. Ou seja, tudo depende do quanto você está disposto ou não para os que não gostam de você; se você tem um bom colete à prova de balas; e o quanto sobra na sua conta bancária para depositar em juízo. Tirando isso, pode exercer seu humor à vontade. O humor é empreendedor. Não passa por processo seletivo.


O pessoal de RH vai praguejar...