sexta-feira, 15 de maio de 2015

QUANTO VALE O SHOW ?



Quando minha mãe ficava assistindo aos domingos ao Programa Sílvio Santos o dia inteiro, eu reclamava muito. "Pô, mãe, todo domingo é a mesma coisa...". Queria entender o que havia tão especial naquilo. Só tínhamos uma Telefunken colorida em casa e uma tv/rádio dessas de acampamento, onde vez por outra assistia fórmula 1  aos domingos, ou um filme qualquer em outro canal que não fosse a TVS - como era chamado o SBT naquela época. Como a "microtela" de uma tv em preto e branco - na verdade embassado e cinza - era diversão de índio, acabava assistindo ao Homem do Baú. Afinal de contas, hoje entendo que ele faz parte da história da comunicação por aqui. Rá-rai...

O último programa era o "Quanto Vale o Show", onde Araci de Almeida dava alguns mangotes para os calouros, e onde descobri que Décio Pitinini e  Nelson Rubens eram coisas nossas - ok, ok...
Boa parte das pessoas que iam, queriam ser valorizados; ganhar alguns "mangotes"; aparecer, se realmente tivessem talento, ou iam simplesmente pela farra.


E aí eu te pergunto (Marcelo Rezende fala isso a cada dez minutos): quanto vale o seu show ?


Existe alguma coisa que você, e só você, saiba fazer de um jeito único, especial, criativo e acha que mereça ser valorizado?

Hoje vi que um quadro do Picasso chegou ao preço de 179,4 milhões de dólares em Nova Yorque.


Tem uma exposição de suas obras rolando por aqui. Obras geniais, sem dúvida.
Veja, o dinheiro de corrupção na Petrobrás que está sendo devolvido aos cofres públicos não paga a obra de Picasso.

Como é dado o valor a estas obras ou a qualquer tipo de manifestação artística ? Quanto valeria o que você faz ?


Quem sabe você é um gênio do mundo das artes...

Melhor do que estar em delação premiada.

ALIVIANDO O PALHAÇO



Tem certas historinhas que não engulo.

Comi muito Big Mac (aquele que não dá sangue) pois sei que ele é feito de dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim. E comi alguns deles repetindo isso em menos do que os quinze segundos da promoção, entrando e saindo da fila declamando o jingle logo que a loja inaugurou. E não importava se a carne era de minhoca.

Neste momento em que adotei o celibato de fast food, não teria nenhum motivo realmente sério para defender a loja do Ronald. Mas...

Li a noticía que os brinquedos que são oferecidos quando se compra um Mac Lanche Feliz estão sendo alvos de uma ONG pois, segundo esta organização, se aproveitam do imaginário infantil para vender sanduiche para crianças. Implicaram com o desenho "A Hora de Aventura" e os brinquedos com seus personagens. Pergunta: você já comprou para seus filhos e levou um brinquedo desses para casa ? Lá em casa têm alguns deles com mais de dez anos. As traquitanas não quebram !

Queria saber qual o mal nisso?

Empresas promovem produtos para todo tipo de público. O infantil é um segmento que tem que ser atendido. Não se faz propaganda para os pais. Isto é ridículo. Entendo que a decisão ou não de comprar, esta sim, deve ser deles, os pais.

Daqui a pouco vão querer botar um plástico nas capas da Turma da Mônica por atentado violento à imaginação. Ou quem sabe colocar a Barbie de burca. Aquela história sobre as histórias do Monteiro Lobato é outra estupidez.

Algumas mentes distorcidas, parecem querer distorcer o sentido do Estatuto da Criança e do Adolescente para ganhar notoriedade.

E tem a justificativa tosca: "Ah, mas o pai e mãe que não podem pagar vão acabar traumatizando a criança." Estou traumatizado até hoje porque não tive uma bicicleta na infância... palhaçadisse demais.

Preocupação com crianças fora da escola, com o crack, com o tráfico infantil, com pedofilia, com agressão aos infantos, com falta de creches, com mortalidade infantil,... Não ! A prioridade é o bonequinho do Mac Lanche !

Faça-me o favor... vá descabelar palhaço !

sexta-feira, 10 de abril de 2015

SEMANINHA SEM VERGONHA



A semana acaba e eu, que não circulei muito pela rede esta semana para cuidar da saúde, fiquei observando as notícias quando o sinal do wifi deixava ou a TIM esquecia de mim e liberava o seu. Eu por aí, hora aqui outra ali no vai e vem dos quadriz do mundo virtual... 

Acompanhei de longe, meio sem entusiasmo as notícias. 

O chororô do Fred; um incêndio interminável em Santos, contaminando as águas; inflação anual recorde; a cara de pau do Vaccari Neto; filas intermináveis para ver Picasso em SP; dois congressistas fazendo pirraçinha dentro de um avião; desemprego batendo a porta; um idiota ganhando mais de um milhão na TV por ser idiota; a ladainha da política polarizada que já enche o saco e que não vai dar em nada, só servindo para separar ainda mais as pessoas; o Botafogo entendendo que a Taça Guanabara é a Champions League; a senhora presidanta contando mais mentiras mundo afora; e agora, a  foto do gato na escada. 

Na boa, o gato na escada é a notícia mais interessante da semana. 

Ah, e eu acho que ele está descendo.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

DUAS MÃOS


Já ouvi e li em alguns lugares que estamos nos insensibilizando. Que o mal é banalizado demais e, para a maioria, passou a ser corriqueiro.

Será que é assim para todo mundo?

Um grau mínimo de indignação - não a insatisfação com a política; essa, quem não tem, ou mora em plutão ou vive dopado de ansiolíticos - e sensibilidade dá para observar a respeito de alguns acontecimentos que chegam através do PC, do tablet, do smartphone, etc, nos tornando atualizados sobre determinadas notícias e, querendo ou não, tomamos partido desta ou daquela opinião - uns exasperadamente, é  fato. Mas com uma minoria ainda dá para manter um conversa até amigável. Já disse que ultrapassar a fronteira da intransigência vira desrespeito. Aos que ultrapassam essa fronteira, block e pronto. Quem disse que meu perfil é democrático? :-p

Voltando.

Questões que trazem discussões de "primeira ordem" dos jornais, eu vejo a todo momento. Pessoas batem no touch e dão soluções para todos os problemas da terra a todo momento. Os sábios da montanha mágica delirante da WEB. 

Falo daquelas questões que você vê nas ruas, ou as que você sabe por um amigo, por um parente, na fila da van, no boteco da esquina,...?! Os pequenos dramas que, sem precisarem de campanhas, você poderia ajudar ou tornar menos dolorosa a dor ou menos desconfortável o desconforto de alguém. 

Você já fez isso? Não pelo calor de um debate ou não pela sua própria sensação de bem estar e egolatria, mas somente por humanidade? Para bem e para o mal, nossos acertos e erros são exclusivamente humanos. Você já ajudou outro ser da sua espécie somente porque era o certo a ser feito? Anonimamente, sem esperar retribuição, sendo efetivamente solidário? 

Se sim, te admiro sem saber quem você é.

Aos demais, sugiro fazerem isso antes de consertar o planeta de cima da montanha mágica, apenas por que o Facebook pergunta no que você está pensando.

É só uma idéia... Sem muxoxo, ok ?!

terça-feira, 31 de março de 2015

CENTRAL DO BRASIL



Não, você não precisa ir muito longe. 

Está tudo bem ali. O olhar perdido dos meninos da cola e do arrastão, do crack e do furto do cordão, do celular e das canelas finas, da bola e do crasso português.

Circula ali a senhora de olhar cansado pela fadiga - os olhos são esclarecedores -, da bala "Ráus" de cereja para enganar a fome, da blusa de onça, de espírito forte, do hálito de nicotina, das seis viagens por dia, do sono completado no balanço do trem.

E quem mais vem?

O velho de roupa amassada com o suvaco de ontem, o estudante matutino, a moça da loja de utilidades e a outra da lanchonete que vende sucos. Vem também o professor, o auxiliar de pedreiro, o rapaz do TI, a menina do salão, o soldado de meio expediente, o homem da concessionária de motos, a moça alinhada em viscose e a do shortinho saliente.

Correm como loucos para sentar; achar um espaço minimamente confortável no desconforto.

Camelôs passam gritando nos ouvidos de quem dorme o sono mal dormido da segunda, terça, quarta,... Vem contando os trocados e dividindo espaço com o sujeito que pede com papelzinho na mão; dividem um espaço inexistente nos bancos escorregadios e corredores compridos; dividem o riso e a conversa fiada da noite de ontem - falam alto, parece briga, mas são de paz; dividem a tristeza daquele que não vem mais; dividem as cartas da sueca em pé, na ida ou na volta do expediente.

Multiplicam-se precariamente os sonhos de quem estuda para prova chacoalhando ao som do "fanqui" de celular ou do gospel do vendedor de cd pirata. Multiplicam as reclamações pelo aperto, a carestia, o descaso de uma via que dizem ser "super". Engano de enganadores.

Do lado de fora, o calor, o suor, o vapor e gente. Muita gente. Quando a composição "varia", as avarias os deixam a pé sobre os trilhos, nas estações apinhadas na chuva ou no calor. Nossos ouvidos incomodados, descobrem na entrada que que o chip da Tim da Claro e da Vivo com acesso à Internet são cinco reais.


Do lado de dentro, o ar gelado quando não está quebrado, águas, skóis e guarapluses, chocolate quatro por dois - já foram seis por um, uns caras que vendem tapete, outros que vendem chinelo, o velho da bananada "bananiiiinhaaa", o sujeito educado o da empada de dois reais.

São reais. A mistura de gente, drama, batalhas, sorrisos. O preço dessas vidas são muito reais. O apreço a essas vidas tem que ser muito reais.

Um garoto de dezessete ou dezoito anos pergunta para a mesma senhora de olhar cansado, a propósito de uma pesquisa qualquer: "a senhora é feliz?" "Não tenho tempo para pensar nisso" - responde ela, curtida pelo sol que bate pelo vidro da porta.

sexta-feira, 27 de março de 2015

AS SUAS RAZÕES


Tudo fica mais fácil quando seus desejos são respeitados, quando o que você entende como o que é certo acontece sem contestações, quando há alguém que concorde com tudo o que você pensa. Paraíso. Perfeição. 

Lamento, esse mundo de faz de conta não existe. 

Você precisa lidar com opiniões contrárias, rejeições, frustrações, resultados ruins,... Faz parte da vida. Mas ao invés de lamentar, emitir palavrões, grunidos, bater porta, gritar com quem está do seu lado ou com quem você chama de oponente, você pensou na possibilidade de estar errado? Já pensou que podia ser de outro jeito, e o que o outro disse talvez valha a pena e você sequer quis ouvir? 

Têm horas que percebo um bocado de gente que bate mais ou menos com a minha idade, e alguns até mais velhos que eu, ainda estão na adolescência. Nada contra. Quisera eu ser um teen espinhento e viver tudo de novo. Só que tem uma época que a gente tem que crescer, parar de dar tanta importância às coisas que não são tão importantes assim. 

Se a batata frita está murcha, talvez você não tenha chegado cedo o bastante. Se sua escolha foi errada, melhor não culpar a opção - a escolha foi sua. 

Nos últimos dias, mesmo que "a pulso", precisei ser construtivo, positivo, autoestimulado, mesmo com as águas revoltas em volta. Eu quero estar certo e também não custa parar e ouvir com atenção o que tem para ser ouvido. Em uma canção do velho Russo diz na letra: "não falo como você fala mas vejo bem o que você me diz". E ainda: "todos têm suas próprias razões". Jamais devo esquecer que tenho as minhas. Pensando bem, talvez eu ainda seja um lobisomem juvenil.

domingo, 22 de março de 2015

"IIIINSPIRA !! EIIINCHE O PEITO DE AR"



Quando moleque o controle remoto não existia e eu ficava em pé diante da tv girando o botão dos canais que parecia um pouco com com o controle do gás das bocas do fogão. Ah, molecada... Estes daí jamais entenderão... 

Bom, normalmente nos horários que eu estava em casa a TV estava ligada nos canais onde passavam desenhos. Os Herculóides, Corrida Maluca, Os Muppets, Papa Léguas, A Liga da Justiça (Supergêmeos: Ativar !!!) Speed Racer e um monte de desenhos que vez por outra repetem nos canais a cabo. Era época do Capitão Asa, TV Globinho com a Paula Saldanha, etc.

Se eu acordasse cedo, antes dos desenhos, fazia um tour pelos canais e encontrava documentários de esporte ou sobre a natureza com a narração do Léo Batista ou do Sérgio Chapelin. Era legal; meio ESPN meio Net Geo. A mente nunca ficava vazia. 

Mas o que sempre me deixava bobo era a uma senhora chamada Yara Vaz que fazia um programa de ginástica; acho que na TV Educativa. 

Ela, acompanhada de duas ou três alunas que usavam bastões para fazer exercícios matinais. Eu ficava ali bobão admirando a "senhora elástica" realizando os exercícios com mais desenvoltura que suas alunas aparentemente 40, 50 anos mais novas que ela. 

"Iiiinspira !!!" Ordenava. " Eiiinche o peito de ar...." - e eu enquanto não dava a hora do desenho, prendia a respiração e cansava só de ver o que ela fazia.

Admirável a senhora Yara Vaz - para quem não conhece, favor não confundir com Iara Vaz na busca do Google. A segunda tirou proveito do nome e trabalha na mesma atividade. Lembrar que um Y faz toda a diferença.

Porque estou lembrando disso?! 

Minha pequena chegou agora para mim, pedindo a ajudá-la a fazer uns exercícios da fono. Alguns pediam para inspirar e falar algumas palavras soltando o ar, outros, inspirar e emitir alguns fonemas. Lembrei do aquecimento vocal do cantor Edson Cordeiro: "Si - Fu- Si- Fu - Si - FU..."

O último exercício é em pé, inspirando e levantando os braços e expirando soltando o ar lentamente. Era minha chance:

Iiiinspira !! Eiiinche o peito de ar... Iiisso ! Sem sofrimento !!!

Na terceira vez quem precisava de ar era eu.

Quem nasceu para sedentário nunca chega a Yara Vaz...





quinta-feira, 19 de março de 2015

OBRIGADO !



Obrigado, mamãe e papai !!!

Por estimularem a liberdade do meu pensamento.

Por me darem senso crítico para tentar avaliar o certo e o errado.

Por me ensinarem que o meu destino só depende de mim.

Por me darem a mão quando eu precisei.

Por me ensinarem a andar sozinho se fosse preciso.

Por me darem os primeiros livros e incentivarem que eu tirasse minhas próprias conclusões.

Por me fazer entender que devo cuidar do meu próprio nariz pois se me meter na vida dos outros é feio.

Por olharem para mim sem me julgar pelos meus erros mas dando força para os meus acertos. 

Pela bronca quando não passei de ano e a puxada de orelha me fazendo olhar para frente, não para trás.

Por mostrar que perrengue passa logo e que tem horas que são down outras up. E você tem que estar pronto para as duas.

Tinha muito mais a agradecer. A comida na mesa, o remédio, a roupinha legal, o carinho, o cuidado, as horas insones, a escola, as alegrias compartilhadas, o Merthiolate ardido e o sopro, o termômetro, o sorvete gelado, o sorriso antes de dormir,... Não cabe aqui dentro, ó.

Estou tentando ensinar aos seus netos tudo isso.

Obrigado.

terça-feira, 17 de março de 2015

POR ISSO E POR AQUILO




Me mandaram odiar você pois sou pobre e não posso admitir que você ganhe mais que eu.

Me mandaram odiar você pois uso amarelo CBF e você vermelho CCCP.

Me mandaram odiar você pois não devo aceitar que você seja gay e pois na cabeça de quem me mandou odiar, você pode contaminar a sociedade com seu gênero.

Me mandaram odiar você pois seu time é de elite - seja lá o que isso signifique - e o meu popular.

Me mandaram odiar você e repetir o discurso pronto ou as frases de efeito que aparecem no Facebook, Twitter, Instagram e afins.

Me mandaram odiar você em nome da religião que não admite seu modo de vida.

Me mandaram odiar você pois você diverge de tudo que me mandaram odiar.

Me mandaram odiar você e te ofender sempre que possível para demonstrar que sou fodão nesse negócio de odiar mesmo não te conhecendo.

Me mandaram odiar você pois você vê TV e falaram que por isso você não pensa pela sua própria cabeça.

Me mandaram odiar você pois bebo suco e você Coca.

Me mandaram odiar você pois você fez Telecurso e eu estudei na Europa.

Me mandaram odiar você em nome de um moralismo imposto por não sei quem.

Me mandaram odiar você pois sou branco e você é negro.

Me mandaram odiar você pois sou negro e você é branco.

Me mandaram odiar você pois nasci no sul e você no norte.

Me mandaram odiar você pois nasci no norte e você no sul.

Me mandaram odiar você por você estar engajado em apoiar mentiras por convicção, dinheiro, ingenuidade ou desconhecimento - ou tudo isso junto.

Me mandaram odiar você pois minhas roupas são de liquidação e as suas de grife.

Me mandaram odiar você pois você gosta de azeitona e eu de cebola frita.

Me mandaram odiar você pois se você não escolhe a quem deve fazer o bem, é bom que tenha certeza a quem deve odiar também.

Me mandaram odiar você pois tenho que apoiar a violência gratuita, ao invés da conversa desarmada, mesmo que você não concorde com o que me determinam como argumento.


A questão, meu caro, é que não sou babaca e nem acato ordens.


quinta-feira, 12 de março de 2015

MANIFESTANDO


Frederico chegou em casa apressado. Deu boa noite amor e beijou Janete e foi direto para o banheiro.

- Dor de barriga amor?

- Não. Preciso sair logo. Estão me esperando lá embaixo – disse tirando a cueca e jogando no chão.

- Esperando? Você vai aonde?

- Vou me concentrar com o pessoal para marcha em defesa da Petrobrás e luta pelos direitos do Sem Terra.

- Tá maluco Fred ?!

-Não, preciso me manifestar. Essa é a hora!! Não precisa nem preparar o jantar; vai rolar uma quentinha na barraca.

Janete olhava atônita o marido esfregando a espuma do shampoo.
- Frederico Silva. Você só pode estar brincando. Vim correndo do trabalho para preparar o empadão de frango e você quer “manifestar” ?! Baixou espírito ?!

- Janete, querida, me chame de companheiro Silva. Sim hoje vou sair e só volto na segunda-feira.

- Quinta, sexta, sábado e domingo? Vai ficar fazendo o quê na rua?? Tem mulher nessa história Frederico??

- Mulher, mulher... Você acha que homem só pensa em mulher?! Minhas aspirações são patrióticas, Janete. E dia 15 tem outra. Tô lá para pedir a reforma política e o impeachment. Dizem que vai rolar até open bar na concentração... Cadê minha camisa vermelha?

- Frederico, você nunca teve uma camisa vermelha, “tu é gremista”. E se você acha que eu vou ficar aqui sozinha com empadão no forno está muito enganado... 

- Manifesta, Janete; bate panela também !! Domingo, se quiser me acompanhar pode vir. Lá pode você pode chamar de Frederico...

- E se alguém da sexta-feira te encontrar no domingo??

- Eu não pensei nisso. Nesse caso você sai no braço por mim. Direitos iguais, amor...