domingo, 1 de dezembro de 2013

AGRADECER POLÍTICO É DAR GORJETA NO SELF SERVICE...






Eu ando muito sem paciência.

Talvez a insônia que me tira do prumo não seja compatível com meu horário de trabalho. Legal se todas as empresas funcionassem 24 horas e você pudesse escolher o horário adequado às suas atividades. Minha alma de lobo-guará faz com que eu funcione melhor à noite; sim, isso pode ser um motivo. Pode ser a operadora de TV à cabo que me sacaneou e me liga para tentar me convencer à voltar para ela aos sábados, domingos e feriados. Já disse: NÃO, não voltarei ao CÉU, que inferno! Outro motivo pode ser o barulho das motos que passam em frente à minha casa de madrugada sem silencioso no escapamento e peidando gás carbônico com seus motoqueiros sem capacete.  Ou ainda o preço absurdo da carne que faz com que o ato de comer um bife provoque um breve lacrimejar no cantinho dos meus olhos depois que o açougueiro coloca a etiqueta na embalagem.

Mas nada mais tem tirado minha paciência que a babação pré-campanha que começa desde já a invadir as ruas, a TV e às redes sociais.

Gente que se acha ardilosa e tenta nos convencer que uma mentira repetida várias vezes para muita gente, pode virar verdade. Lembra, na ficção, 1984 de Orwell, onde toda a verdade é verdade quando a fonte de informação manipulada quer que assim seja; ou na vida real a propaganda massificada antissemita de Goebbels, chefe da propaganda no nazismo. Aliás, a frase correta é: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” do próprio Goebbels.

 Diferente de hoje, temos a ajuda da tecnologia, onde imagens e palavras não voltam atrás pois são gravadas, onde as fontes de informação não são totalmente manipuláveis pela escória “oficial”, temos a possibilidade de termos os fatos em nossas mãos, entende-los e tirarmos nossas próprias conclusões. Os manipuladores de informação regiamente pagos se vêem numa encruzilhada: como combater os fatos se todos tem conhecimento dele? A esses, sinceramente: fodam-se! 

E outros “fodam-se” para as administrações públicas inábeis, incompetentes, inescrupulosas, ineptas, e todos os “IN”s que o prefixo designa. São os contrários; àqueles quem devemos nos opor!

A questão é que ainda há gente que precise de favores em troca de migalhas. A necessidade às vezes fala mais alto, quando a voz vai perdendo a força. A imagem é a do índio que troca com o cara-pálida a sua dignidade por miçangas. Estes, muitas vezes são impelidos a agradecer pelo que acham que é não seria seu por direito. Os caras-pálidas querem fazer com que você pense que qualquer benesse é uma conquista e não um direito seu pelo seu suor que paga os impostos e salários destes merdas! O Brasil, nas esferas municipal, estadual e federal é o país dos caras-pálidas.

Então, senhoras e senhores, não precisamos fazer elogios a qualquer político ou membro da administração pública pelo que temos direito e pelo que pagamos. Isso é ser estúpido! É dar gorjeta ao dono do restaurante depois do autoatendimento em um self-service, como o próprio nome já diz! O que você recebe de benefício do estado, você já pagou! O que você não recebe é porque o estado corrupto te tungou! Dê uma banana para essa gente !

Não deixe que digam o que você tem que fazer para garantir ser atendido em hospital, a ter sua rua asfaltada sem buracos, a ter iluminação pública que funcione, a ter uma polícia que lhe dê segurança e não lhe trate como um bandido, que a porcaria do ponto de ônibus não seja levado a quase um quilômetro de distância da sua casa, entre outras barbáries diárias que sofremos todos os dias pela má gestão de nossa cidade, estado e país.


Me lembra o final da canção É o “Mais do mesmo” de Renato Russo:


“Bondade sua me explicar com tanta determinação

Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou

Eu realmente não sabia que eu pensava assim

E agora você quer o retrato do país mas queimaram o filme

Enquanto isso, na enfermaria, todos os doentes estão cantando

Sucessos populares

E todos os índios foram mortos...”


Agora é madrugada, já acordou ?!

Realmente ando muito sem paciência! E você?

domingo, 24 de novembro de 2013

SOBRE MÚSICA...





 Não sei dizer se tanta gente compartilha assim do que escrevo ou replico por aqui. De todo modo, queria falar um pouquinho sobre um tema específico e a maneira que este tema afeta nossas vidas. Se quiser me seguir nessa vamos juntos, senão, tudo bem.

Enquanto escrevo estas palavras nesse papel eletrônico me acompanho de música. Muita gente faz isso. Para fazer as mais diversas coisas, em casa, no trabalho, no seu hobby, no lazer,... Nossas atividades são preenchidas, quando isto é possível, pela música. Você anda pela rua, um monte de gente com fones de ouvido acabando com a própria audição - feito eu. Meu caso não tem solução – como na música do inbiografável Rei. Minha velhice será silenciosa, certamente. Pete Townshend ou Beethoven também ficaram assim de tanta música.

Quando eu era adolescente, a difícil arte de estudar matemática era acompanhada de fones de ouvido ou caixas no volume máximo de puro rock! Vetores, funções, probabilidades... Em nada disso eu fui nota 10. Mas um 6 ou 7 com louvor às custas dos agudos de um já saudoso Robert Plant (não que ele tenha morrido, mas o fim do Led já causava saudades) ou da voz rasgada do Ian Astbury me faziam temer menos pelo meu futuro. As outras matérias vinham à reboque. Para língua portuguesa e literatura o superfunksoulrockpopdeliclovesex de Prince; para biologia e química os riffs de Angus Young e os solos de Kirk Hammett. Quando estudava inglês ouvia Legião Urbana – por quê? Para uma coisa não atrapalhar a outra. Conheci um sujeito que só ouvia música eletrônica, pois enquanto estudava não precisava se distrair acompanhando as letras. Era seu método.

Voltando às ruas. Às vezes fico imaginando o que as pessoas estão ouvindo nos seus fones. Qual a trilha sonora do seu dia a dia. Lembro-me do personagem do Lázaro Ramos em “O homem que copiava”. Da sua janela podia ver um sujeito gordo chacoalhando no prédio do outro lado da rua todas as noites. Um dia encontrou-o numa loja de discos e perguntou do que ele gostava de ouvir: Creedence. Virou a trilha da sequência da cena. Sou dos caras que acha que as trilhas sonoras de nossas vidas devem ser preenchidas pelos silêncios e sons (valeu Lulu !). Não devemos prescindir deles.

De tempos em tempos mudava radicalmente e de forma não proposital as minhas trilhas. Minhas temporadas eram muito variáveis. Tive a época do blues – e os blues de várias épocas; época do samba – observo que samba não é aquilo que grupos de pagode de SP tentaram fazer do final dos anos 90 para cá – época do metal e algumas de suas variações - não todas; época da soul music; época do BRock; época da MPB 70 e 80; época da MPB sem rótulo dos anos 90 e 2000; época de pop radiofônico; época do reggae e do reggaeton – que para quem não sabe, são coisas distintas;  época do BR hip hop ; época do funk – leia-se FUNK, não do “FANQUI” feito por aqui, (deu para entender, não??!!). Agora ando numa época de VEVO e afins, descobrindo muita coisa interessante do mundo todo. 
Para mim só o rock se fez ouvir quase que a vida toda. O chão onde ando sempre será cortado por cordas de aço de Fenders, Gibsons e quem mais chegar guitarrando por este solo. 

Todavia chega uma época que você percebe que se você gosta, pode ouvir qualquer coisa que goste a qualquer tempo. Não dói e nem cansa. 

E você ? Qual é sua época ?


"RI"

Para que pediu, aí vai o poema completo:

"RI"

Ri
Ri sim da minha agonia
Delícia de agonia
condensada em orgasmos múltiplos
eu a última a sair
ou seria você ?!
Ri
Ri dos lençóis mordidos
pelo amor e a ritualística do ato
Do nosso consumo e o banho de gato
Do desprendimento das energias
Do sexo ardido pela repetição
ou não ?!
Ri
Ri cachorro que me lambe
de bambas pernas e tornozelos
Lambe com zelo tua cadela
e só pede socorro à donzela
quando não mais aguentar
Será ?!
Ri
Ri do teu líquido escorrendo
derramado em pele nua
e como gozas e cansas e gozas e suas
como um animal qualquer
Como fera. Enches a pança
Comes?!
Devora a mulher !
Ri
Ri, pois se empolga
pois vês meus seios delicados
pois se enrosca nos cabelos alisados de condicionador
Prato cheio à tua fome
Ao teu ardor
Ao teu amor ?
Ri
Ri da última noite em que me encontras
Quantas mais hei de querer
Ri que teu siso já se foi
Diluído até eu não mais saber.
Ri
Ri por último e ri melhor
Pois sou a favorita dos deuses
Ri pelas vezes -- e não foram poucas
Ri por nossas bocas e ventres
Ri por tua Rita
Ri por teu rito e me crava os dentes.



Do Livro "Erogenia" - 2013 - Clube de Autores
https://clubedeautores.com.br/book/140485--Erogenia#.UpGfBCfg_Po

sábado, 16 de novembro de 2013

ARRUMAÇÃO NO ARMÁRIO

Finalizando uma arrumação no meu armário de bagunças e afins, achei uma "relíquia". 
Escrevi isso num "guardanapo" de pastelaria. Daquele tipo, quadradinho, que só evita a fritura chegar diretamente às suas mãos. É um pedacinho de um texto que escrevi, chamado "Ri". Não lembro se estava comendo pastel quando escrevi. Vai tentar entender a cabeça de quem escreve...

"Ri dos lençóis mordidos
pelo amor e a ritualística do ato
Do nosso consumo e o banho de gato
Do desprendimento das energias
Do sexo ardido pela repetição
ou não ?!"
Este texto completo está no meu livro "Erogenia" e numa coletânea que saiu pela Editora Literis, chamada "Poesia Viva".
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O SAMBA SEGUIU



            "Não poderia parar. O vozeirão que se espalhava pela quadra já estava cansado. Mas sem ele a escola não seria a mesma. Desceria para o grupo inferior. Sabia, no entanto, que estava na hora de se aposentar. Uma noite no ensaio a voz falhou. Mas o samba seguiu."



Em fevereiro:   "Carnaval - O Samba, a trama e a trança no cabelo"

domingo, 10 de novembro de 2013

BOLERO - parte 4

Queridos e queridas! 

Depois do absurdamente longo hiato neste conto, volto com sua continuação. 

Em paralelo existem outras histórias que precisam ser contadas e acabei trabalhando nelas no meu modo histérico e desconcentrado de escrever ao mesmo tempo várias coisas. Mas não esqueci da promessa este aqui vamos finalizar juntos e pelo andar da carruagem terminará em janeiro. Até lá, se tiverem paciência e puderem ceder um pouquinho do seu tempo para estas breves leituras, agradeço muitíssimo. Lembro que o "Killers - volume 1" está disponível para sua leitura, conforme post anterior. Observo que esta história teve início lá. 

Obrigado por sua atenção!

                                                   BOLERO - parte 4



        De alguma forma precisaria espantar o fantasma de Bárbara que me atormentava com seus pedaços deixados ao léu pelo Rio de Janeiro. A polícia havia encontrado partes de sua anatomia em diversos lugares. Faltava a cabeça, um braço e uma perna.

         Não tinha noção como o caso progredia depois da onda inicial da imprensa quando fora encontrado seu tronco na ilha de Mocanguê, base da Marinha em Niterói. Já sua perna esquerda encontrada por um pescador na Baía de Guanabara e seu braço direito próximo ao Píer Mauá tentavam formar o macabro quebra-cabeças que eu inventara junto com Jacob Rodriguez. Um delegado chamado Nilo Ventura estava cuidando do caso.

Muitos pedaços, uma só mulher. 

Sua cabeça fora enterrada profundamente na praia do Leme, onde dia após dia o cheiro se elevava e levava ao dono de um quiosque próximo reclamar das obras da prefeitura que faziam exalar aquele odor putrefato, conjurando e esconjurando o prefeito em todas as línguas que conhecia e outras que ainda iam ser inventadas. Fora prefeito !!


Da mesma forma, meu jeito de expurgar Bárbara de meus pensamentos era criar-lhe uma morte pouco honrosa. Inventar sua passagem desta para a melhor, ou pior, de maneira que meu subconsciente absorvesse aquela farsa e meus pesadelos noturnos que passaram a existir desde o fatídico dia me trouxesse uma pouco de sossego.
 

sábado, 26 de outubro de 2013

VERSÃO FREE

                          Versão free !

         Olha como estou ficando bonzinho...


Como estou iniciando o trabalho do segundo volume de Killers

Para aqueles que não tiveram a oportunidade de ler o volume 1, disponibilizo gratuitamente a versão PDF.

Pode baixar nos links abaixo.

https://drive.google.com/file/d/0B6_e5-xg5YX_Nk5oS0lfcEY3WEk/edit?usp=sharing

http://www.4shared.com/office/25QVkruw/Killers_-_volume_1_-_Clayton_C.html 

                                   Observo: conteúdo adulto! 

sábado, 24 de agosto de 2013

DIA DO ARTISTA

Hoje é dia do artista. 

Os artistas que saem todo dia pela manhã, apressados pela falta de tempo e espaço em sua agenda e apresentam-se para uma plateia às vezes desconhecida. O artista de verdade não reclama da vida afinal seu ócio criativo é aproveitado dentro de ônibus, trens, metrôs engarrafamentos, sufocos diários. Ah, que vida boa, esta destes vagabundos andando para lá e para cá, tramando peripécias para burlar o caos do dia a dia. Sim, porque o artista não trabalha, NÃO! Artista "exerce seu ofício". 

Será que todos nós não exercemos nosso ofício? Será que todos nós não somos grandes artistas?

Então parabéns para nós que representamos nosso papel. Nesse caso, todos somos protagonistas, jamais coadjuvantes desta obra aberta, deste roteiro inacabado, desta tela branca ou pauta ainda vazia: “O grande espetáculo de nossas vidas”.

Parabéns para todos nós e ao mesmo tempo, obrigado!