sábado, 24 de agosto de 2013

DIA DO ARTISTA

Hoje é dia do artista. 

Os artistas que saem todo dia pela manhã, apressados pela falta de tempo e espaço em sua agenda e apresentam-se para uma plateia às vezes desconhecida. O artista de verdade não reclama da vida afinal seu ócio criativo é aproveitado dentro de ônibus, trens, metrôs engarrafamentos, sufocos diários. Ah, que vida boa, esta destes vagabundos andando para lá e para cá, tramando peripécias para burlar o caos do dia a dia. Sim, porque o artista não trabalha, NÃO! Artista "exerce seu ofício". 

Será que todos nós não exercemos nosso ofício? Será que todos nós não somos grandes artistas?

Então parabéns para nós que representamos nosso papel. Nesse caso, todos somos protagonistas, jamais coadjuvantes desta obra aberta, deste roteiro inacabado, desta tela branca ou pauta ainda vazia: “O grande espetáculo de nossas vidas”.

Parabéns para todos nós e ao mesmo tempo, obrigado!



domingo, 10 de março de 2013

Bolero - 3a parte



- Está esperando alguém?
Um sujeito sacudiu meu ombro fazendo com que eu abrisse os olhos e visse sua imagem turva. Apertei as pálpebras e observei sua testa franzida que inquiria sobre minha presença. As cadeiras estavam de pernas para o alto sobre as mesas. A música havia acabado e as luzes acesas não tiravam a impressão que sempre tive daquele lugar: parecia um enorme porão. Respondi com minha boca seca de hálito duvidoso.
- Laura.
- Quem?
- Bárbara.
- Ah. Já deve estar vindo...
Fiquei na cadeira esperando por Laura.
Em meus delírios alcoólicos, meus treinos em frente ao espelho, meus planos perfeitos para quebrar o gelo, em nenhum momento tive a sorte de vencer as barreiras que se postavam à minha volta. Timidez. Agora eu tinha Laura e pertencia a ela. Às escondidas, as escapulidas pelos muros do vizinho vestindo minhas roupas que mamãe dizia ser de mendigo foram fugas obrigatórias para enfim viver esse romance inusitado.

Minha vida antes e depois de Laura, assim se divide.

*        *        *

Meu pai deixou-nos uma fortuna em dinheiro, diamantes, ouro, obras de arte e o controle e participações em empresas que vão da indústria farmacêutica ao ramo de comunicações. Nossa herança se estende de costa a costa de nosso continente e encontra países do outro lado do Atlântico. Minha irmã mais velha e minha mãe detêm o conhecimento e a maturidade para administrar todo esse patrimônio. Eu, no entanto, sempre preferi a reclusão. Minha educação foi moldada para atingir a perfeição erudita. Esta era a escolha de minha mãe para mim. Eu, sempre rejeitei este estigma. Sem opção, sobretudo depois da morte de meu pai, preferi viver num mundo que criava somente para mim nos quartos das casas onde moramos - uma sempre maior do que a outra a cada mudança - ou em minha casa em Menorca, em San Jaime.
Sempre preferi meu pai. Sua força, seu apreço à liberdade. Ele, depois de sair pelo mundo aprendendo com a vida e ganhando toda a riqueza que nos deixou, pode manter e assistir à propriedade rústica de minha avó. Ao lado, construiu-me, uma belíssima casa, idêntica a um desenho que fiz à época que ainda me carregava em seus ombros. Minha casa da árvore, meu castelo, meu lugar. “Esta es su refugio. Esta casa fue construída sólo para ti”. Quando não estava lá em férias com ele e eventualmente com minha mãe e irmã que sempre preferiam centros mais cosmopolitas como Madri, ficava a maior parte do tempo em meu quarto digerindo e regurgitando história e literatura e sem nunca me aproximar da realidade mundana de seus negócios. Morei por um ano completo em San Jaime quando fiz doze anos e meu pai acabara de falecer em um acidente aéreo. Consolava e tinha o consolo de minha avó ainda viva. Após sua morte três anos depois, disse aos empregados que mantivesse sua casa sempre limpa e arejada, mas que não entraria mais lá.

*        *        *

         Os bajuladores diziam que meu rosto era expressivo.
         Minha irmã é mais velha que eu quinze minutos. A ela foi destinada a beleza física e o encanto da conjunção do DNA de nossos pais. Sua exuberância vai de sua falange distal às pontas de seus cabelos negros. Enquanto ela era comparada à bonecas, eu não tinha comparações. As opiniões sobre minha beleza viviam nas cabeças dos mais chegados à nossa família. 

Durante a preguiça do fim de semana...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Bolero - 2a. parte



Bolero (2a. parte)



      Em torno dela um festim que não lhe agradava. Ao seu lado dois homens conversavam a respeito da caixa de um uísque qualquer que chegaria para um deles na manhã seguinte. O celular de um dos dois tocou, então este pediu licença dizendo que detestava este incômodo da tecnologia e os dois riram sem vontade. “Alô...”
       Ela afastou-se do grupo.
      Do outro lado alguém a observava durante toda a noite. Cabelos pintados e vestido branco com muita lasi. Magra e sem pintura, somente um batom bem vermelho. Não tinha rugas aparentes. Circundou o salão vagarosamente até que seus olhos se cruzaram ao dela.
     Ela desviou olhar enquanto o da mulher vestida de branco o seguia. Sentiu-se vigiada e não gostou da sensação. Saiu do salão até outra sala vazia de convidados mas apinhada de livros sobre prateleiras que vinham do teto até o chão em quase todo seu perímetro. Havia ainda uma enorme mesa, uma cadeira de madeira no centro e duas poltronas de couro rústico contrapostas sobre uma tapete de peles. No centro de uma das paredes um quadro da mulher que vira a pouco.
       No meio destes livros, sentiu-se segura.
    Fechou a grande porta do cômodo que invadira, sentou-se numa das poltronas, recostou a cabeça lateralmente e fechou os olhos. Podia ouvir um antigo bolero cantado em espanhol que vinha do salão e o barulho dos outros convidados. “Bolero é estar só”, pensou. Sentiu uma mão sobre seu ombro.
       - Está esperando alguém? - Assustou-se. Não podia ver ninguém.
        - Está esperando alguém?


*     *     *

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Oi! 

Estou fazendo as ilustrações do meu livro infantil. Saibam que não é fácil. É uma experiência nova que dá trabalho mas é muito interessante. Descobrir novas formas de tratar as imagens, adequá-las às histórias de um jeito que fique atraente para a criança que lê. 


Aí em baixo uma provinha...




Criei um videozinho para o "Killers - volume 1".

Vejam se ficou legal....


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Meus novos "filhos". 





Trabalhando para concluir duas novas publicações até meados de março. 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Bolero - 1a. parte



                     Olá Pessoal ! 

              Num emaranhado de coisas a fazer, trabalhando para a publicação de novos títulos até meados de março - minhas férias acabaram e o "tempo" me deixou na mão... - minha "cabecinha" anda pensando na sequência do livro Killers - volume 1. O "volume - 2" já está em construção. Gostaria de compartilhar a realização de um dos contos no qual começo a trabalhar. Vou postar seu início e a medida que for construindo a história, compartilho com vocês. Este é só o comecinho. As idéias vêm aos poucos para mim... 

Seu título provisório é "Bolero". Espero que gostem e se tiverem tempo e paciência, opiniões; serão bem vindas.



Bolero (1a. parte)


         "A noite invadia sua janela causando frio. O vento que empurrava a cortina fazia bater a armação contra a esquadria metálica. Não tinha coragem de fechá-la. Assentava-se no canto do cômodo com o corpo encolhido sobre o carpete áspero e abraçando os joelhos. Uma? Duas horas? Não tinha mais essa noção. As costas ardiam dos arranhões e o antebraço direito possuía um forte e feio hematoma de formato arredondado. As plantas dos pés também doíam e estavam cobertas pelo sangue ressecado. Das luzes, só a do abajur continuava acesa.

         Sentava-se de modo que seu ângulo de visão não permitisse olhar para aquela pessoa inanimada. Mas ainda assim, podia ver-lhe os dedos da mão esquerda e a aliança apertando o anelar inchado. Via também a poça rubra encharcando a textura acinzentada do carpete e a almofada, outrora, branca."


Se ainda não tiveram a oportunidade de ler minhas publicações, visitem:


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

NOVOS LIVROS - CAPAS



Recorte gráfico. Acho que as imagens das capas ficaram interessantes. O que acham?


DESCONTOS !!! OBA !!!!



Galera, nesta semana de carnaval, de 6 a 12 de fevereiro a editora Clube de Autores está proporcionando desconto para as publicações impressas. Meus amigos que me parabenizaram e curtiram minhas novas publicações, tem oportunidade de adquirir e ler meus trabalhos por preços mais baratos. Quem tiver interesse, segue o link abaixo.

Um grande abraço à todos!!!

https://www.clubedeautores.com.br/books/search?utf8=%E2%9C%93&what=Clayton+Craveiro&sort&commit=BUSCA