Café na Caneca
por CLAYTON CRAVEIRO
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
Pelé no início e no fim
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
TAGS: DIREITOS HUMANOS , MARIELLE, FAKE NEWS...
O termo "Direitos Humanos", diferentemente do que intencionava a carta da ONU de 1948, no pós-guerra, no inconsciente coletivo aqui no Brasil, passou a relativizar um conflito sobre as desigualdades de grupos que não são assistidos adequadamente quanto aos seus direitos efetivos e outros grupos das classes sociais que detém tais direitos - seja por herança social ou imposição da força econômica - e a estes, aparentemente, não parece justo compartilhar ou concedê-los.
A morte de Marielle Franco, há quatro anos, teve o efeito de trazer à luz, de forma ainda mais intensa, a imensa estratificação social na qual vivemos. De um lado a luta pelos direitos sociais e de outro a falta de interesse de uma população que se parece enquadrar-se em caixas (ou em castas): a caixa do conservadorismo, a caixa da misoginia, a caixa do racismo, a caixa da riqueza e a da indiferença.
Cada vez mais, posicionamentos políticos progressistas, como os da igualdade de oportunidades para todos, confronta com os que já possuem essas vantagens. O estereótipo "homem-branco-heterossexual-cidadão-de-bem-conservador" parece realmente existir e traz a reboque um balaio de preconceitos e conceitos obtusos dentro de uma sociedade tão desigual.
Muitas vezes amparados pelo anonimato da Internet, esses grupos, orquestrados ou não, desaguam rios de insultos, maledicências e mentiras nas redes sociais e ou em aplicativos de mensagens. Com a vereadora Marielle Franco, que defendia em suas pautas grupos sociais desassistidos, não seria diferente. Surgiram notícias absurdas sobre sua vida pessoal e sobre sua atividade parlamentar - crimes, associação ao tráfico, opção sexual - quase que querendo justificar o seu brutal assassinato.
A cada vez que uma notícia falsa é compartilhada, reputações e vidas podem ser destruídas. A mensagem que chega ao receptor, que muitas vezes é alguém de pouco entendimento, cai como uma verdade absoluta. A mensagem pode corromper, desinformar, criar monstros ou oponentes fictícios no tecido social. Isso só traz prejuízos à verdade e, sobretudo, à democracia.
domingo, 25 de setembro de 2022
"O COMUNISMO DO MACHO VÉIO"
Eu, assim como muita gente que nasceu no final da década de sessenta, ou início dos setenta, deve ter uma memória, mesmo que vaga da queda do muro de Berlim. Eu tinha saído do quartel e , pasmem, estava no primeiro casamento. Nessa época, o mundo mudava para mim. Vida adulta, contas para pagar, primeiros perrengues profissionais. Nessa época, para o país e para o mundo tudo também mudava. Aqui, a Constituição Cidadã, primeira eleição direta depois da ditadura, com a primeira cagada federal feita nas urnas: Fernando Collor de Mello, “o caçador de marajás”. Era o fim da Guerra Fria para todo o planeta – mas aquele papo idiota de comunismo versus capitalismo ainda permanecia.
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Hoje ainda se usam os discursos com data de validade vencida como se ainda existissem Kossygin contra Lyndon Johnson. Um candidato a presidente tenta ressuscitar Joseph McCarthy e essa bobajada insana da América do século passado. O mais insano é aceitação pelos “defensores da pátria”. Parceirinhos... Aqui é Brasil. Não há ideologias clássicas que se sobreponham à estratificação social. Aqui, ou você é rico - e se você é rico, certamente não estará lendo isso – ou você vende sua força de trabalho por remuneração – biscateiro, freela, CLT, MEI, profissional liberal prestador de serviços, pequeno empresário e até um servidor público, que também se fode todos os dias para ganhar algum... Assim, se você dedica seu tempo apoiando que o establishment - que permanece esfregando a riqueza na sua cara enquanto você precisa se preocupar com boletos todo o início de mês tendo que ralar, gastando seu tempo, sua saúde física e mental para ser força de trabalho dele - você está do lado errado da força... Não está puxando no cabo de guerra, está soltando a corda para o cara que já tem a vitória continue ganhando... Ô, macho véio, se você é esse cara, é bom procurar um terapeuta ou pedir um consignado.
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Aqui em Pindorama tivemos duras correções de rotas, que levaram a acertos e erros – e alguns outros países por aí também - nas tentativas cada vez mais frustrantes de acertar nas eleições proporcionais e majoritárias. Nas proporcionais, desde sempre, leva vantagem quem possui o poder econômico, quem se associa a lobbys e consequentemente manda nos destinos do país. As majoritárias normalmente acabam dependentes e reféns das primeiras. Sempre se fala que nestas terras não se sabe votar, e é verdade. A educação da população é baixa, a segregação em classes e a pobreza perpetuada fazem com que o patamar de entendimento sobre justiça social seja insuficientemente forte para que a barreira seja rompida. Responsabilidade de quem detém a lanterna só para si enquanto a ignorância e a escuridão prevalece para os demais.
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Aqui, nesse país distópico, desde lá de trás, fizeram questão de misturar as coisas na cabeça dos “brasileirinhos” e agora, mais de três décadas, precisamos tentar separar as coisas para que todos possam entender. Quando China, a antiga União Soviética e as Alemanhas (que se uniram) abrindo a cortina de ferro para uma economia de mercado, a história decantada na ditadura de minha infância que, se o comunismo chegasse, ia tomar os bens do indivíduo para dividir entre toda a nação, e que o comunista come criancinha, entre outras bobagens, caíram. Ou seja “corre atrás do seu dindin, Dimitri!” “Não corre atrás, não para você ver, Cheng...”. Ou seja o medo infantil do “comunismo” (as vezes a palavra dita parece uma entidade espírita, rsrs...) a “tomar o patrimônio do seu porquinho” deixou de existir, exceto no discurso conceitual, onde a estratificação social é gigante em alguns países, como aqui, em Terras de Vera Cruz. Pau Brasil por espelhos e miçangas. Tem uma paradinha errada, não?! Sacou, macho véio ?!
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Daí, o que era a pauta principal da chamada esquerda caiu por terra junto com o Muro e a Guerra Fria. Os holofotes então se voltaram, para as pautas sociais e identitárias. Ou seja, garantias individuais para quem não tem garantias - ou são elas precárias - e não só para alguns. Parece o mais justo agora, não?!
Entretanto, até hoje, há um entendimento torto do que o sujeito pode ou não fazer com sua vida, gerando debates insanos entre pessoas que querem o progresso para todos e os autointitulados conservadores, local onde encontramos o macho véio - aquele que soltou da corda no cabo de guerra, lembra (?) ” - como se tudo que trata da defesa de grupos étnicos ou identitários o afetasse. O cara não consegue limitar-se a cuidar da própria vida. Ele, macho véio, quer ser um cara pálida, como um guardião de uma moral que não lhe diz respeito. Ao invés de ter as suas preocupações voltadas para o disparate socioeconômico que é imposto - aí sim, a TODOS(!) - quer se preocupar e fazer galhofa do cú do do coleguinha ou da coleguinha, por exemplo. Quer impor barreiras às etnias ou classes. Quer garantir que o sujeito que já tem muito, continue ganhando mais ainda enquanto os demais - e ele mesmo - permanecem pisando no mesmo estrume.
Caem na teoria estúpida de que todas as TV’s e jornais que divergem da sua estupidez, manipulam as mentes enquanto ele mesmo é manipulado pelo tiozão ou tiazona do Whatsapp. Como se todas as pessoas que divergem dele não pudessem ter qualquer fonte de informação nas mãos. Hoje basta o sinal da operadora ou do WiFi, dar uma googlerizada correta, e pesquisar sobre os fatos para tomar suas decisões. Assim "tá ficano défíciu" né, macho véio. Não dá para esquecer das inusitadas histórias da mamadeira de piroca e kit gay que povoaram a última década espalhadas por uma porção de "machos véios".
Hoje, o macho véio repete o mantra que aprendeu com os detentores de um capital - que ele não tem, mas acha que tem - e dos que pretendem se perpetuar no poder a custa da ignorância: “zou liberal na economia e gonservador nus custumes”. Acha, inclusive, um lema fantástico como todos os bordões que decorou no Twitter para atacar o que ele chama de “esquerdalha comunista” e vai juntando memes para disparar na rede quando precisa "marcar posição". O problema mais grave é quando toca o berrante e ele sai fantasiado de CBF para Copacabana adesivando a bandeira do Brasil no capô do Celta, com arma na cintura, se achando patriota. Não, macho véio, isso não é patriotismo, é um perigo social.
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Passamos pelos descaminhos sempre. Um dia a gente acerta o passo e anda todo mundo junto. Misturado como nossas raças. Sem pataquadas ou bravatas.
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
É SÓ UM TEMPO PRA SE REBELAR
O Ira! é um caso bem especial. Só ouvia porque tocava por aí. Um dia peguei emprestado o vinil na casa de um colega de escola e levei pra casa. O álbum era "O ÁLBUM": "VIVENDO E NÃO APRENDENDO". De 1986, as faixas trazem o ge-ni-al Edgard Scandurra em uma fase de criação absurda, em dupla com de Marcus Valadão, o Nasi, mandando uma pérola atrás da outra. Só punch na lata.
Foi um final de semana que a vizinhança não teve paz, teve Ira!.
Fiz trinta e comprei um CD naquelas promoções das Lojas Americanas e refiz o mesmo caminho 🤪🎶🎶...
Agora de manhã atravessei minha rua de boa e do nada cantarolando o refrão: "Nas ruas é que me sinto beeem.../ ponho meu capote e está tudo bem", com aquele riff fodástico dos anos 80... Voltei para casa e botei o álbum tocando na nuvem. Neste momento repito pela segunda vez o álbum todo. Enquanto escrevo tô aqui cantando "Pobre São Paulo/ ôôôô / Pobre paulista / ôôôô...", aquela que disseram que era racista, taquipariu, tá phoda hoje em dia.
Um pessoal vai dizer "Cara, cê tá velho..."
Numa boa, tô não!
domingo, 19 de setembro de 2021
MAIS DO MESMO
segunda-feira, 21 de junho de 2021
"PROTOCOLOS"
DIVERGÊNCIAS
quarta-feira, 2 de junho de 2021
A AFETAÇÃO DA PATULÉIA
quarta-feira, 26 de maio de 2021
SÉRIOS ESTUDOS CIENTÍFICOS
O médico John Connor publicou no último mês um estudo científico na revista Unlikely Nature, baseado em pesquisas de campo realizadas na populosa cidade de Kuentin Loh, na China, comprovando que exposições, mesmo que curtas a aerodispersóides podem ser auxiliares no tratamento de doenças pulmonares. Ele realizou testes em cerca de quinze mil pessoas que monitoradas dioturnamente, realizaram aspersão mecânica pulmonar de possíveis cargas virais contidas na atmosfera e, eventualmente, eliminaram nesta reação o muco viral. Desta forma, com a redução significativa de material químico no organismo foi possível comprovar irrefutavelmente sua teoria.
O resultado destes testes foram comprovadamente acolhidos pela área científica e Connor deve concorrer ao Nobel de Medicina em 2022.
Se você chegou até aqui, saiba que a foto é falsa e criada virtualmente, a cidade não existe e a notícia indica que se você respirar poeira pode ser provado que você vai tossir e eventualmente mandar uma catarrada para fora. John Connor não é médico, é o cara que vai tentar nos salvar da Skynet no Exterminador do Futuro.
Assim nasce uma fake news. Jamais caia nessa. Vá procurar os fatos.
Só é cloroquiner quem quer.
segunda-feira, 17 de maio de 2021
EMPATIA
Assistimos hoje a normalização da morte.
“Ué, não nasce e morre todo dia um monte de gente?” Claro que sim!
Mas pensa comigo: lá do outro lado do Atlântico um país invade o território do outro , manda um punhado de mísseis de última geração, derrubando prédios, aniquilando famílias; homens , mulheres, crianças – em sua maioria esmagadora, civis. E isso para você está bem distante. Parecem imagens de games no noticiário. Coisa deles, lá...
Corta para esse lado do Atlântico. Aqui. Bem aqui no seu país.
Em média 2000 pessoas estão morrendo por dia por uma doença que pode ser combatida com vacina, distanciamento social e uma frívola máscara – e você sabe disso. Mas por duas “estratégias” burras do governo federal e da própria população, não temos nem vacina, nem distanciamento seguro. Você se sente tranquilo assim?
Mas sua indignação é seletiva por coisas estúpidas, como o resultado de realyties, resultado do miss universo (?), na harmonização facial do cantor irrelevante, no discurso para idiotas de um presidente qualquer, na roupa esquisita da cantora, sobre o gênero dela ou dele... E em todo resto, permanece a sua passividade de manada, obrigado a se apertar no trem do metrô por quem paga por suas horas de vida ou sentado com outros irresponsáveis nas festinhas,... Talvez você tenha deixado isso para lá, porque sobreviver já tá muito difícil mesmo, né?! Até que eu entenderia se você não soubesse de nada sobre o que eu disse antes.
Talvez você tenha embrutecido ou emburrecido tanto, a ponto de validar genocídios, de não ligar para a perda de pessoas por aí – por motivos que para você sejam absolutamente normais nesses tempos.
Quem sou eu para cagar a regra do que você tenha que pensar ou fazer. Sou só mais um nesse fogo cruzado de bombas, balas e vírus... Mas, se não for pedir muito, dá uma olhada pra dentro de você e tenta perguntar: se tudo isso fosse comigo ou com alguém próximo de mim, aqui do meu lado, como eu estaria agora?